Custa-me a crer que passei quase 5 anos sem ir a Barcelona. Por várias razões: porque já há muito tempo que queria mostrar aquele meu mundo ao João; porque a sinto como parte de mim e me faz falta; porque mal aterrei, foi como se nunca de lá tivesse saído.
Adorei levar ao João a todos os meus lugares especiais, mostrar-lhe como foi a minha vida nos 5 meses que vivi em Barcelona, partilhar com ele todos os recantos e todas as coisas que fazem de Barcelona a cidade espetacular que é. Foi muito importante para mim saber que ele gostou tanto do que conheceu e que percebeu o meu fascínio. Sim, talvez fazendo Erasmus se crie sempre uma relação especial e de carinho pelo sítio onde se viveu esta aventura. Mas o meu sentimento vai para além disso. Sinto um orgulho enorme por ter vivido numa das cidades mais cosmopolitas e admiradas do mundo. Durante 5 meses aquela foi a minha casa, as pessoas que lá conheci foram a minha família. Foi muito bom passear pelas ruas e passar por diferentes locais e reconhecê-los como se ainda no dia anterior lá tivesse passado. Acima de tudo foi isso que senti. Que a Reconheci, que conheci sítios novos, mas que os de sempre ainda os sinto como meus, tão meus como há 5 anos atrás. Aqueles passeios perdidos que dou na minha cidade de sempre, Lisboa, são muito semelhantes aos que dava em Barcelona e aos que dei agora: a fazer sempre um caminho diferente para chegar ao mesmo sítio, a reparar de cada vez numa coisa nova, a esquecer o tempo mas totalmente integrada no espaço.
Não houve melhores momentos porque foram todos óptimos. Mas um dos pontos altos foi ter revisto amigos de Erasmus e estar com eles quase como se estivéssemos juntos todos os dias. Passando o embaraço inicial, senti-me tão à vontade como há 5 anos atrás. E ri-me tanto como nessa altura. São das relações mais genuínas que se podem criar, sem expectativas e sem cobranças, sempre envoltas naquela névoa de ingenuidade, boa-disposição e entrega característica de Erasmus. Sei que se podem passar meses e anos sem nos falarmos e encontrarmos, mas acredito que vai ser sempre assim: perfeito.
